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Receita e despesa, economia e política

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Governo promete redução milagrosa do deficit da Previdência

Por Dinheiro Público & Cia

A despeito da descrença geral em torno das promessas de austeridade neste ano eleitoral, governo e mercado parecem concordar que o melhor é manter a encenação tanto quanto possível.

No mais novo ato, o ministro da Previdência foi forçado a recuar de uma declaração que beirava o óbvio: o deficit do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tende a ficar bem acima das projeções oficiais.

Segundo a programação orçamentária deste ano, o buraco nas contas atingirá R$ 40 bilhões. O ministro Garibaldi Alves disse, em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, que o mais provável seria repetir os R$ 50 bilhões de 2013.

Pressionado, o ministério divulgou ontem uma nota segundo a qual, graças a medidas para elevar a arrecadação e combater a sonegação, o resultado imaginado pela área econômica poderá ser milagrosamente alcançado.

O enredo nem sequer é novo: no ano passado, a equipe de Dilma Rousseff dizia que o deficit previdenciário ficaria em R$ 33,2 bilhões, num erro de quase R$ 17 bilhões.

Para este ano, prevê-se simplesmente o menor deficit desde 1998, equivalente a 0,77% do Produto Interno Bruto, ou seja, da renda nacional. De 2012 para 2013, o rombo subiu de 0,93% para 1,04% do PIB.

Nas contas do governo, a despesa com o pagamento de benefícios subirá 8,4%. Nos últimos cinco anos, os gastos subiram entre 10% e 13% ao ano. Cada ponto percentual significa R$ 3,6 bilhões em desembolsos.

Não por acaso, o mercado não acredita no cumprimento da meta anunciada pela Fazenda em fevereiro de poupar o equivalente a 1,9% do PIB; a estimativa central dos analistas é um saldo de 1,5%.

Ainda assim, a meta foi bem recebida e ajudou a atenuar o pessimismo geral com a economia. Pior seria, pelo visto, se governo não se desse nem mesmo ao trabalho de tentar manter as aparências.

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