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Como FHC em 98, Dilma disputará reeleição negando ajuste doloroso

Por Dinheiro Público & Cia

Guardadas as proporções, a campanha reeleitoral de Dilma Rousseff terá, pelo andar das declarações recentes, muitos paralelos com a de Fernando Henrique Cardoso em 1998.

Como o tucano na época, a petista defenderá conquistas que, nas circunstâncias presentes, são insustentáveis -e negará a necessidade de ajustes dolorosos, sugeridos, ainda de forma vaga e confusa, pela oposição.

Há 16 anos, o Plano Real fazia água. A estratégia de manter o dólar artificialmente barato segurava a inflação em patamares historicamente baixos, mas elevava as importações, o deficit do país nas transações com o resto do mundo e o desemprego.

Hoje, a política desenvolvimentista de Dilma faz água. A estratégia de inflar o consumo com intervenção oficial mantém o desemprego em patamares historicamente baixos, mas o país acumula deficits com o exterior e inflação persistente.

FHC refutava a tese de que seria inevitável deixar o dólar subir para reequilibrar as contas do país; Dilma, nos últimos dias, tem dito que não haverá medidas impopulares como a alta de juros e o corte de gastos públicos.

Nos dois casos, estratégias perigosas, mas racionais: os presidentes-candidatos defendem seus principais feitos e, ao mesmo tempo, dizem que seus adversários vão sabotar o bem-estar da população.

Enquanto isso, aguarda-se uma melhora do cenário econômico internacional que permita uma saída da enrascada com danos mínimos.

Em 1998, os petistas e outros críticos acusavam o governo tucano de “populismo cambial” e “terrorismo eleitoral”. FHC tentou, de fato, evitar mudanças de rumo, mas foi atropelado pelo mercado.

No primeiro mês de seu segundo mandato, ficou sem reservas em dólar para vender e segurar as cotações, e a inflação subiu. Sob imposição do FMI (Fundo Monetário Internacional), teve de iniciar um programa de aperto nas contas do governo. Sua popularidade nunca mais se recuperou.

Dilma não enfrenta condições tão dramáticas quanto as do final dos anos 90, mas corre o risco de ser atropelada pelo mercado enquanto adia as medidas para, no exemplo mais palpável, conter a a alta dos preços.

A inflação está perto do teto anual de 6,5% mesmo com dólar relativamente barato (que prejudica a balança comercial), tarifas públicas congeladas (que prejudicam as contas do governo) e crescimento econômico baixo (que prejudica toda a população).

O equilíbrio é precário e custoso. Se a sorte não ajudar, ajustes tardios tendem a ser mais dolorosos.

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