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Fim da pobreza exige mais que dobrar gasto do Bolsa Família, diz estudo

Por Dinheiro Público & Cia

A eliminação da pobreza, ao menos nas estatísticas oficiais, exigiria mais que duplicar os gastos do Bolsa Família, aponta um estudo recém-concluído.

Nos cálculos das economistas Celia Kerstenetzky e Elisa Monçores, da Universidade Federal Fluminense, seriam necessários mais R$ 29 bilhões anuais para atender a todas famílias cuja renda se encontra na faixa de pobreza adotada pelo governo, de menos de R$ 140 mensais por pessoa.

Hoje o programa desembolsa quase R$ 25 bilhões por ano, com atenção maior para os brasileiros na faixa de miséria, abaixo de R$ 70 mensais.

“É Possível Acabar com a Pobreza no Brasil?”, pergunta o título do trabalho. O texto responde que a pobreza vai muito além da mera falta de renda -mas procura estimar quanto custaria enfrentar essa deficiência.

A partir de dados coletados pelo IBGE em 2012, o estudo aponta que, considerando os parâmetros adotados pelo governo, há 17,3 milhões de pobres e miseráveis no país, ou 9,2% da população.

Esse contingente dispõe de renda familiar abaixo da linha oficial, mesmo considerando os efeitos dos programas sociais.

Na teoria, seria possível extinguir essa pobreza -estatisticamente, ao menos- a um custo menor, pagando a cada família a diferença entre a renda presente e a renda almejada de R$ 140 por pessoa.

“Contudo, implementar essa decisão é virtualmente impossível, por razões de ordem prática”, diz o texto

Como não seria viável encontrar todos esses pobres e miseráveis e pagar benefícios no valor preciso a cada um deles, as economistas defendem que o valor da linha de pobreza seja integralmente pago a todos.

“É uma fração ainda muito restrita da riqueza nacional, ainda que venha a implicar a duplicação do orçamento do programa”, argumenta o estudo.

Os custos são maiores quando a pobreza é medida por critérios mais realistas que os adotados pelo governo.

O estudo fez simulações com base em uma linha de R$ 206 mensais, a partir de cálculos publicados pela Folha no ano passado.

Nesse caso, o número de pobres sobe para 30,8 milhões (16,3% da população), e a despesa adicional, para R$ 76 bilhões.

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