Dinheiro Público & Cia

Receita e despesa, economia e política

 -

Blog explica como os governos tributam os cidadãos e utilizam o dinheiro público.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade

Aécio indica que pretende manter -ou até elevar- a carga tributária

Por Dinheiro Público & Cia

Candidato associado a uma agenda mais liberal para o país, Aécio Neves procura desarmar expectativas de uma redução do peso dos impostos na economia nacional em um eventual governo tucano.

Na entrevista concedida ontem ao portal G1, Aécio indicou que a carga tributária, de início, terá de ser mantida -ou, dependendo de como se interpretem suas declarações, até elevada.

A primeira parte foi mais clara: “Só vamos ter espaço para a diminuição da carga tributária (…) no momento em que encaixarmos o crescimento do gasto corrente [as despesas permanentes do governo] dentro do crescimento da própria economia”.

Traduzindo, a carga atual, na casa dos 35% da renda nacional, não pode cair enquanto o gasto público, hoje perto dos 39%, continuar em alta.

Aécio fala apenas em uma “simplificação” do sistema tributário, a ser proposta de imediato. Isso abriria caminho para uma redução de impostos “a médio prazo”.

A simplificação mencionada implica unir tributos nacionais, estaduais e talvez até municipais, numa equação política e federativa que vem sendo tentada sem sucesso desde os anos 90.

Adicionalmente, o tucano nega que queira cortar gastos. Ainda que possa estar evitando antecipar medidas impopulares, a margem para ajustes rápidos na despesa pública é mesmo muito pequena.

Questionado sobre o tema, Aécio preferiu se dizer contra “o processo de desonerações [tributárias] setoriais” promovido pelo governo Dilma Rousseff. Ou seja, criticou medidas que reduziram a arrecadação na tentativa de estimular a economia.

Mais surpreendentemente, não descartou a possibilidade de criação do Imposto sobre Grandes Fortunas, autorizado pela Constituição, mas nunca regulamentado -nem a administração petista se animou a levar o tema adiante.

Tudo somado, há uma evidente preocupação com o comportamento da receita pública nos próximos anos. Antes da agenda liberal da carga tributária menor, há o problema mais urgente da deterioração das contas do governo.

Trata-se de um pensamento coerente com a experiência tucana no Palácio do Planalto: foi o ajuste fiscal do governo FHC que  promoveu a maior elevação de impostos desde a redemocratização do país.

Atualização – A campanha de Aécio negou que essa seja a interpretação correta para as declarações do candidato. Veja a mensagem enviada ao blog.

Ficou alguma dúvida? Faltou alguma informação?

Pergunte na área de comentários ou pelo Facebook.

Blogs da Folha

Mais acessadas

Nada encontrado
Publicidade
Publicidade
Publicidade