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O Brasil vive uma estagflação?

Por Dinheiro Público & Cia

Estagflação é um fenômeno tão raro que a palavra não existia até os anos 70.

Trata-se da combinação de atividade econômica estagnada, ou em desaceleração, com inflação alta, ou em aceleração.

Até o advento do termo, essa não era uma situação costumeiramente cogitada pelos teóricos. Em condições normais, uma freada da economia deprime o consumo e tira o fôlego da inflação.

Descobriu-se que estagflações podem acontecer quando um preço que afeta todos os setores, como o do petróleo ou o do dólar, tem uma alta repentina -e também quando o governo exagera nos gastos públicos ou intervém demais nos mercados e nos contratos.

O caso brasileiro se encaixa no conceito. Neste ano, o Produto Interno Bruto, medida da renda nacional, vai crescer ainda menos que no ano passado, enquanto a inflação vai superar os já elevados 5,9% de 2013.

No governo Dilma, gastador e intervencionista, a expansão fraca do PIB é tão persistente quanto a alta forte dos preços.

Nesta semana, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, negou que haja estagflação com o argumento de que os índices de inflação têm caído nos últimos meses. A afirmação é questionável porque se ampara em resultados ainda incipientes, e a inflação supera as metas do BC desde 2010.

Há, no entanto, um dado mais sólido a ser levado em consideração: a taxa de desemprego, em queda quase contínua nos últimos anos.

Nas típicas estagflações, o desemprego cresce devido à freada do consumo e dos investimentos. Tanto que uma regra simples usada no passado para identificar uma estagflação era a elevação do “Índice da Infelicidade”, uma soma das taxas de inflação e desemprego.

Com inflação na casa dos 6% e desemprego na dos 5%, o índice brasileiro hoje está perto dos 11%. Há seis anos, quando a economia vivia um bom momento, o índice chegava aos 13%, com desemprego de 8% e inflação de 5%.

A queda da infelicidade nacional -ao menos a medida por essa fórmula prosaica- pode enfraquecer a tese da estagflação. Mas não chega a derrubá-la.

Na Rússia, onde as taxas de inflação, desemprego e crescimento econômico são muito semelhantes às brasileiras, a vice-presidente do banco central usou a palavra para descrever a conjuntura vivida pelo país.

Semântica à parte, o certo é que o Brasil já enfrenta o dilema clássico da política econômica em uma estagflação: as medidas que podem reduzir a inflação tendem a agravar a estagnação, e vice-versa.

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