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Receita e despesa, economia e política

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Promessa de Marina para saúde reduz poupança do governo pela metade

Por Dinheiro Público & Cia

Enquanto seus emissários tranquilizam o mercado financeiro com juras de austeridade nos gastos públicos, a presidenciável Marina Silva (PSB) abraça a promessa mais cara da campanha.

A proposta de destinar à saúde 10% da receita da União -também apoiada no Legislativo por congressistas do PSDB- significaria custos adicionais na casa do R$ 40 bilhões anuais, algo como a metade do que o governo se propõe a poupar para o abatimento da dívida pública.

O caso -e o debate entre os presidenciáveis desta terça (26)- ilustra as dificuldades de viabilizar politicamente a plataforma econômica dos principais candidatos oposicionistas.

Desde 1998, quando FHC foi reeleito no primeiro turno, a agenda liberal e ortodoxa não contava com tantos votos em potencial. A defesa das medidas, no entanto, é ambígua.

Marina já sinalizou que sua visão econômica é semelhante à do tucano Aécio Neves. Ambos defendem o restabelecimento do tripé, inaugurado por FHC, composto por metas de inflação, metas para a poupança do governo e liberdade para as cotações do dólar.

Tudo isso pressupõe a disposição de elevar juros, conter a expansão de gastos sociais e, provavelmente, conviver com uma alta temporária do desemprego.

Esse ideário foi abandonado ou deixado em segundo plano nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010, que privilegiaram propostas de mais geração de empregos e obras. Ressurgiu agora devido aos fracos resultados obtidos pelo desenvolvimentismo gastador de Dilma Rousseff.

Marina e Aécio, na pesquisa do Ibope, contam com cerca de metade do eleitorado (o Pastor Everaldo, defensor mais explícito do liberalismo econômico, ajuda a arredondar o percentual).

Marina promete um salto das despesas na saúde (hoje equivalentes a 6,9% da receita da União) e acena com mais benefícios aos aposentados; Aécio defende mais gasto em segurança e benefícios extras para estudantes.

Ambos parecem acreditar que a derrota de Dilma bastará para melhorar instantaneamente o clima econômico.

A ideia de combinar mais poupança pública, mais gasto social e mesma carga tributária só é possível em um cenário de crescimento vigoroso da economia e da arrecadação de impostos.

O Brasil só conseguiu o feito na primeira metade do segundo governo Lula, com a ajuda de um já encerrado ciclo de prosperidade internacional.

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