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Veja mitos e verdades sobre BC independente e ‘bolsa-banqueiro’

Por Dinheiro Público & Cia

As presidenciáveis Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) travam um debate repleto de mistificações acerca dos poderes do setor financeiro e dos feitos e propostas de uma e outra a esse respeito.

A presidente acusa a adversária de querer entregar a política econômica aos bancos privados, com a proposta de um Banco Central independente; em resposta, seu governo é acusado de ter criado a “bolsa-banqueiro”, presumivelmente uma referência aos gastos públicos com juros da dívida.

Veja mitos e verdades sobre os temas:

. A independência do BC significa entregar a política econômica aos banqueiros

Mito – Independência ou autonomia do BC significa, em geral, dar mandatos fixos aos dirigentes da instituição, com regras para demissão em caso de desempenho inadequado ou insatisfatório. É uma forma de evitar a ingerência do poder político sobre a fixação dos juros.

Mas a indicação do presidente e dos diretores do BC continua sendo feita pelo Palácio do Planalto, com necessidade de aprovação do Senado Federal.

. O setor financeiro é influente na condução da política econômica

Verdade –  Governos que gastam bem acima de sua receita, como o brasileiro, precisam regularmente de dinheiro emprestado e, portanto, da boa vontade dos bancos e dos poupadores.

Qualquer credor exige que o devedor demonstre capacidade de pagamento -que é avaliada a partir do ponto de vista e dos interesses do credor.

. A independência do BC subtrai poderes do governo eleito de intervenção na economia

Verdade – Órgão mais poderoso do Executivo, o BC fixa a taxa de juros e dispõe de reservas em moeda estrangeira para influenciar a cotação do dólar. As políticas monetária e cambial tem impacto decisivo no crescimento da economia e na inflação.

Ao governo restariam, para influenciar na atividade econômica, os gastos públicos e o crédito dos bancos oficiais.

. A independência do BC significaria mais desemprego

Depende – Um BC independente que desejasse reduzir mais rapidamente a inflação teria de elevar as taxas de juros até uma piora do mercado de trabalho suficiente para estancar o consumo e os preços.

Mas o BC também poderia tolerar a inflação mais alta, a exemplo do que acontece hoje. É a meta de inflação, portanto, que faz a diferença.

. O governo petista criou a “bolsa-banqueiro”

Mito – Os juros e, consequentemente, os gastos com a dívida pública caíram, embora não de forma contínua, de 2003 para cá, como proporção da renda nacional

União, Estados e municípios gastavam algo como 7,5% do Produto Interno Bruto em juros da dívida em 2002. Essa despesa hoje está na casa dos 5% do PIB

. Os gastos do governo brasileiro com juros estão entre os mais altos do mundo

Verdade – São raríssimos os países que gastam um percentual tão elevado do PIB com juros da dívida pública. Levantamento com dados de 2011 mostrou que só Grécia e Líbano superavam o Brasil.

As taxas brasileiras estão entre as mais altas do mundo desde os anos 90, mas o motivo dessa anomalia ainda é objeto de debate entre os especialistas.

 . Os bancos não gostam de Dilma porque ela reduziu os juros

Em termos – A presidente de fato derrubou as taxas na primeira metade de seu mandato, mas hoje os juros e os gastos com a dívida estão praticamente nos mesmos patamares herdados de Lula.

Na visão dos economistas mais ortodoxos, influente no sistema financeiro, a tentativa de baixar juros sem redução dos gastos públicos e da inflação foi uma estratégia equivocada da petista.

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