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Marina ainda não tem plano coerente para BC autônomo e meta de inflação

Por Dinheiro Público & Cia

Declarações da equipe de Marina Silva (PSB) mostram contradições em torno de dois dos principais compromissos da presidenciável -o Banco Central independente e o restabelecimento das metas de inflação.

Conforme a Folha noticiou, auxiliares encarregados do programa de governo de Marina defendem, com maior ou menor ênfase, que entre os objetivos de um BC autônomo esteja a geração de empregos.

A proposta ainda não está definida, o que é normal a esta altura da campanha. Mas a possibilidade cogitada é incompatível, por princípio, com o regime de metas de inflação cuja credibilidade a candidata promete recuperar.

O pressuposto básico do regime, adotado pelo Brasil em 1999, é que o BC tenha uma única missão: levar a inflação ao patamar prometido, mesmo que para isso seja necessário subir os juros, prejudicar o crescimento da economia e elevar temporariamente o desemprego.

Por esse raciocínio, se empresários, investidores e consumidores acreditarem no compromisso oficial com a meta, vão ajustar naturalmente seus preços e demandas salariais a ela, facilitando seu cumprimento.

Essa receita desandou nos últimos anos justamente porque o governo Dilma Rousseff impôs outros objetivos ao BC, como evitar uma piora do consumo (e do emprego) e buscar uma taxa de câmbio mais favorável às exportações.

Em consequência, a inflação está desde 2010 acima dos 4,5% prometidos, e a meta caiu em descrédito -sintomaticamente, nem a alta dos juros de 7,25% para os atuais 11% foi capaz de conter a alta dos preços.

O exemplo clássico de um banco central que também busca a preservação do emprego é o Federal Reserve, dos Estados Unidos. Mas o Fed, como é conhecido, não segue o regime de metas de inflação.

Leia mais – Mitos e verdades sobre BC independente e “bolsa-banqueiro”

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