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Crítica de Aécio a desempenho da indústria poderia ser feita sob FHC

Por Dinheiro Público & Cia

Uma das críticas mais frequentes do presidenciável Aécio Neves (PSDB) ao desempenho da economia poderia ser feita, com alguns ajustes de datas, no governo do tucano FHC.

“A indústria participa hoje na constituição do nosso Produto Interno [Bruto] com menos do que participava há 60 anos, quando Juscelino [Kubitschek] era o Presidente da República”, disse Aécio, no primeiro debate direto com a petista Dilma Rousseff.

A afirmação faz referência a um estudo publicado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), segundo o qual o peso da indústria de transformação na produção total do país (o PIB), hoje na casa dos 13%, é semelhante ao de 1955, quando JK foi eleito presidente.

O percentual não é muito diferente dos 15,7% calculados em 1998, quando FHC ganhou nas urnas seu segundo mandato. Na época, era a taxa mais baixa desde o final dos anos 50.

Os percentuais mais antigos variam conforme os estudos, porque é preciso recalcular valores apurados com metodologias diferentes. Mas, em geral, os dados mostram que a indústria vem perdendo participação no PIB desde meados da década de 1980, quando a taxa estimada variava de 21% a 27%.

Não se trata de um processo contínuo. Nos governos Lula e FHC, por exemplo, houve um período de crescimento entre 1999 e 2004. Ainda assim, a tendência de queda é visível quando se observam prazos mais longos.

Os motivos e a gravidade dessa trajetória dividem os especialistas. Para os de pensamento mais liberal, a maior parte da queda reflete um processo natural de evolução da economia, em que o setor de serviços passa a responder por parcelas crescentes do PIB.

Já os assim chamados desenvolvimentistas consideram o fenômeno preocupante e defendem políticas oficiais de estímulo à indústria -foi o que fez o governo Dilma, sem sucesso aparente (embora seja possível argumentar que a situação poderia estar pior sem a ação governamental).

Na atual gestão, o PIB da indústria de transformação caiu 2,4% em 2012, prejudicado pelos efeitos da crise internacional. Em 1998, quando o país sofria efeitos de turbulências financeiras na Rússia, a queda chegou a 4,8%.

Na época, o setor também era afetado pelo Plano Real, que segurava as cotações do dólar para conter a inflação, barateando as importações e encarecendo as exportações.

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