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Ajuste fiscal pode permitir alta menor dos juros, diz BC; veja, com tradução, os 6 trechos essenciais da mensagem

Por Dinheiro Público & Cia

O Banco Central divulgou uma ata de 32 parágrafos para explicar por que elevou sua taxa de juros de 11,25% para 11,75% ao ano e quais são suas intenções daqui para a frente.

A decisão foi tomada na semana passada, e a mensagem desta quinta (11) pode ser resumida em seis trechos essenciais, reproduzidos abaixo com a devida tradução do idioma do BC.

“O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic e elevá-la em 0,50 p.p., para 11,75% a.a., sem viés.”

Tradução – “O Comitê de Política Monetária, formado pela cúpula do BC, decidiu por uma elevação maior dos juros, mas isso não quer dizer que esse ritmo será mantido daqui para a frente.”

Nota – Em outubro, os juros haviam subido 0,25 ponto percentual, com voto contrário de três dos oito membros do Copom.

“Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.”

Tradução – “O BC acha que os juros já subiram bastante e deprimiram a economia; por isso, não devem subir muito mais.”

Nota – Essa observação, feita já no anúncio da medida, decepcionou o mercado, porque a inflação ameaça superar o teto legal de 6,5% neste ano e, principalmente, no próximo.

“O balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade, além disso, [o Copom] pondera que não se pode descartar migração para a zona de contenção fiscal.”

Tradução – “O BC acredita que, com Joaquim Levy na Fazenda, o governo finalmente pode vir a cortar gastos e ajudar no combate à inflação.”

Nota – A contenção das despesas públicas reduz o consumo e o investimento do país, esfriando a economia e contribuindo para conter os preços. Com isso, a necessidade de elevar juros é menor.

“Para 2015, a projeção de inflação se manteve relativamente estável, (…) acima da meta de 4,5%. Para os três primeiros trimestres de 2016, apesar de indicarem que a inflação entra em trajetória de convergência para a meta, (…) as projeções também apontam inflação acima da mesma.”

Tradução – “A meta de inflação só será atingida, na melhor das hipóteses, no final de 2016.”

Nota – A meta não é cumprida desde 2010, porque o governo petista teme derrubar ainda mais a economia com os juros necessários para reduzir a inflação a 4,5%.

“O fato de a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em parte, a ocorrência de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na economia -realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. (…) A intensificação desses ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável. Nesse contexto, o Comitê não descarta a ocorrência de cenário que contempla elevação da inflação no curto prazo, e antecipa que a inflação tende a permanecer elevada em 2015, mas ainda no próximo ano entra em longo período de declínio.”

Tradução – “Como o dólar e as tarifas públicas estão em alta, a inflação vai subir agora, mas começa a cair no ano que vem.”

Nota – O governo Dilma Rousseff represou preços como os da gasolina e da energia elétrica para conter a inflação, que precisam ser corrigidos daqui para a frente.

“O Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito; além disso, atribui elevada probabilidade a que ações nesse sentido sejam implementadas no horizonte relevante para a política monetária.”

Tradução – “O BC acredita que, com Joaquim Levy na Fazenda, o governo finalmente vai parar de injetar dinheiro nos bancos públicos para elevar o crédito.”

Nota – O BC sempre recomenda maior moderação no crédito subsidiado pelo Tesouro Nacional. É a primeira vez que fala em “elevada probabilidade” de isso acontecer.

Leia mais: A tradução da ata anterior

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