BC indica que juros subirão mesmo com desemprego; veja, com tradução, os 5 trechos essenciais da mensagem

Por Dinheiro Público & Cia

O Banco Central divulgou uma ata de 33 parágrafos para explicar por que elevou sua taxa de juros de 13,25% para 13,75% ao ano e quais são suas intenções daqui para a frente.

Sem muito de novo a dizer além de sinalizar uma nova alta dos juros, a mensagem desta quinta (11) pode ser resumida em cinco trechos essenciais, reproduzidos abaixo com a devida tradução do idioma do BC.

“O Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes.”

Tradução – “Os juros ainda têm de subir mais para que a meta de inflação de 4,5% seja cumprida em 2016.”

Nota – Copom é o Comitê de Política Monetária, formado pela cúpula do BC. O texto é idêntico ao da ata anterior, que precedeu mais uma alta de 0,5 ponto percentual dos juros.

A projeção para a inflação de 2015 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião anterior e permanece acima da meta de 4,5% (…). Para 2016, a projeção de inflação mostrou estabilidade (…), permanecendo acima da meta”

Tradução – “A inflação vai estourar o teto de 6,5% neste ano; resta salvar o resultado de 2016.”

Nota – O mercado projeta inflação de 8,5% neste ano e de 5,5% em 2016. A meta de 4,5% tem sido ultrapassada desde 2010; o teto foi estourado pela última vez em 2003.

“Ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, necessitando determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos.”

Tradução – “A inflação sobe devido à disparada das tarifas públicas e à alta do dólar, e o papel dos juros é evitar que a subida dos preços de agora seja repassada a salários e preços mais à frente.”

Nota – A menção a “determinação e perseverança” é uma novidade na ata. A elevação dos juros e os cortes de gastos públicos têm enfrentado resistências políticas entre os aliados do governo.

A estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho tem arrefecido, com alguns dados confirmando o início de um processo de distensão nesse mercado. No entanto, o Copom pondera que é preciso ampliar o horizonte de observações, e que ainda prevalece risco significativo relacionado, particularmente, à possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade.”

Tradução – “O desemprego está subindo, mas ainda não sabemos se é o suficiente para reduzir a inflação.”

Nota – No primeiro mandato de Dilma Rousseff, o BC deixou a inflação superar a meta por temer a elevação do desemprego. Agora, a orientação mudou.

“Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,75% a.a.”

Tradução – “Como a inflação continua muito alta, o Comitê de Política Monetária do BC ainda não pôs fim à alta dos juros.”

Nota – A taxa Selic, fixada pelo BC, já subiu 6,5 pontos percentuais desde abril de 2013, e a inflação não cedeu.

Ficou alguma dúvida? Faltou alguma informação?

Pergunte na área de comentários ou pelo Facebook.