Juros reais, que descontam a inflação, estão em queda pela 1ª vez neste ano

Por Dinheiro Público & Cia

Ao manter inalterada sua taxa de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, o Banco Central afrouxou, na prática, a política de controle da inflação.

Com a decisão tomada nesta quarta (21), os juros reais -descontando a inflação esperada nos próximos 12 meses- caíram pela primeira vez neste ano: estão agora em 7,43% anuais, contra 8,16% em setembro.

Isso aconteceu, obviamente, porque a inflação esperada aumentou desde a reunião anterior do BC para definir os juros, em 2 de setembro. Em outras palavras, portanto, o BC optou por aceitar uma expectativa de alta de preços mais aguda, sem reagir à piora.

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Uma explicação é que as projeções para o IPCA aumentaram devido à escalada mundial do dólar, que encarece os importados. Se decidisse enfrentar esse efeito, o BC teria de derrubar ainda mais a economia do país.

Outra hipótese aventada por especialistas é que as contas do governo estão degradadas a ponto de tornar ineficaz a ação do BC.

Por esse raciocínio, uma alta dos juros elevaria ainda mais a dívida pública, e o medo de um calote levaria investidores a comprar mais dólares, impulsionando ainda mais as cotações. Essa situação é conhecida como dominância fiscal.

Mesmo que o Brasil não tenha chegado a esse estágio, o próprio patamar dos juros reais -os mais altos, de longe, entre os principais países do mundo- evidencia as distorções da economia e das finanças públicas nacionais.

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