Indefinição fiscal prejudica controle da inflação, diz BC; leia, com tradução, os 4 trechos essenciais da mensagem

Por Dinheiro Público & Cia

O Banco Central divulgou uma ata de 32 parágrafos para explicar por que decidiu, na semana passada, manter sua taxa de juros em 14,25% ao ano e quais são suas intenções daqui para a frente.

O documento revela que o BC desistiu do compromisso anterior de levar a inflação à meta de 4,5% em 2016 e finalmente reconhece, ainda em meias palavras, o fiasco do ajuste fiscal.

A mensagem pode ser resumida em quatro trechos essenciais, reproduzidos abaixo com a devida tradução do idioma do BC.

“Houve elevação da projeção para a inflação em relação ao valor considerado na reunião anterior, tanto em 2015 quanto em 2016, permanecendo acima da meta.

Tradução – “A inflação ficará acima de 4,5% em 2016, pelo sétimo ano consecutivo.”

Nota – Na ata de setembro, a projeção para a inflação havia caído. De lá para cá, a alta do dólar e a piora das contas do governo elevaram o pessimismo com a alta dos preços.

Indefinições e alterações significativas na trajetória de geração de superavit primários, bem como na sua composição, impactam as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação e contribuem para criar uma percepção negativa sobre o ambiente macroeconômico.”

Tradução – “Enquanto o governo não conseguir controlar suas contas, não haverá como fazer uma previsão segura para a inflação.”

Nota – O governo começou o ano prometendo poupar R$ 55 bilhões para o abatimento da dívida pública; agora, fala em despoupar até R$ 110 bilhões.

“Há incertezas associadas ao balanço de riscos, principalmente, quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, e que o processo de realinhamento de preços relativos mostra-se mais demorado e mais intenso que o previsto.”

Tradução – “Não só não temos como prever o resultado das contas do governo como também não sabemos quanto o dólar e as tarifas públicas vão subir.”

Nota – As cotações do dólar tendem a subir em todo o mundo com a recuperação da economia dos EUA; no Brasil, devido à crise política, mais ainda.

“O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 14,25% a.a., sem viés. O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária.”

Tradução – “Enquanto não sabemos o que fazer, vamos deixar tudo como está.”

Nota – Até então, o BC falava em cumprir a meta em 2016. “Horizonte relevante”, pelo que se depreende de documentos anteriores, é algo como dois anos.

Leia mais: A tradução da ata de setembro

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