Espécie rara e imprevisível, recessão atual do país bate recordes

Por Dinheiro Público & Cia

Os brasileiros que chegaram há pouco à vida adulta nunca viram uma crise econômica tão severa quanto a de agora. Os mais velhos já testemunharam recessões agudas, mas a atual é uma espécie rara e imprevisível.

As estatísticas oficiais dizem que em 1981 e em 1990 o PIB teve quedas superiores à de 2015. Naqueles anos, o PIB era apurado com outra metodologia, o que torna duvidosa a comparação.

A produção e a renda do país continuam em queda neste 2016, o que resultará, desta vez sem maiores dúvidas, no pior biênio já medido no país -o Produto Interno Bruto começou a ser calculado ao final da década de 1940; há ainda estimativas aceitáveis que alcançam o início do século passado.

Pelos critérios adotados pela Fundação Getulio Vargas, a recessão já completou sete trimestres de existência, aproximando-se das mais longas registradas nos últimos 40 anos: a de nove trimestres entre 1981 e 1983 e a de 11 entre 1989 e 1992.

Mas não são apenas os recordes que a tornam peculiar. Suas origens e sua evolução, sobretudo, destoam dos padrões; não por acaso, é quase impossível prever seu desfecho.

Recessões normalmente são provocadas por alguma mudança brusca do ambiente econômico, como uma crise internacional, uma disparada do dólar ou dos juros, a quebra de um grande banco, uma reviravolta política. Esta, não.

Ela foi gestada na segunda metade de 2013, quando os investimentos -os gastos das empresas em máquinas e equipamentos destinados a ampliar a produção- começaram a retroceder.

Não havia, à época, nenhuma turbulência tão grave no mundo dos negócios; a Operação Lava Jato ainda não existia; o país era sacudido por uma onda de manifestações de rua, mas as contas do governo, os preços, o dólar e o mundo não apresentavam desempenho anormal.

Consolidava-se, porém, a avaliação de que era insustentável a estratégia econômica do governo Dilma Rousseff, baseada em expansão de gastos públicos, tolerância com a inflação, crédito subsidiado e estímulos tributários à indústria.

A degradação, antes lenta e contínua, tomou proporções inusitadas após a reeleição da presidente, quando a crise se alastrou também pela arena política.

Assim se chegou a um cenário que combina emprego em queda e inflação em alta, paralisia no Executivo e no Legislativo, incerteza e impotência A recessão não pode mais ser combatida da forma convencional, com queda dos juros. E a recomposição do governo -ou de algum governo- está sujeita ao futuro das investigações da Polícia Federal.

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