Mais otimista que o mercado, BC vê inflação perto da meta em 2017

Por Dinheiro Público & Cia

O Banco Central apresentou expectativas para a inflação neste e no próximo ano mais otimistas que as da maior parte do mercado.

Sob o impacto de uma recessão que caminha para recordes históricos, o IPCA, índice adotado como referência da política de juros, poderia, nos cálculos do BC, se aproximar da meta de 4,5% em 2017.

Para a instituição, com os juros atuais e o dólar na casa dos R$ 3,70, a inflação fecharia 2016 em 6,6% e 2017 em 4,9%.

Considerando as previsões do mercado de um câmbio menos favorável, as projeções sobem para 6,9% e 5,4% -menos otimistas, as expectativas de bancos e consultorias rondam 7,3% e 6%.

Em tese ao menos, a crença do BC na desaceleração dos preços reforça apostas, que já surgem entre analistas, em uma queda mais rápida dos juros.

Afinal, a economia brasileira deve recuar neste ano algo como 3,5%, segundo a projeção divulgada nesta quinta-feira (31) pelo BC, ou 3,66%, de acordo com o mercado.

Nesse cenário, o PIB acumulará queda acima de 7% em desde 2015, no pior biênio já medido pelas estatísticas disponíveis desde o início do século passado.

O BC mantém sua taxa de juros em 14,25% desde o final de julho do ano passado. Somente nas últimas três semanas, as expectativas do mercado para inflação para este ano começaram a cair.

Os motivos da queda são o aumento do desemprego, que tira o fôlego do consumo, e o barateamento dos produtos importados com o recuo nas cotações do dólar.

Todas as projeções dos economistas, no entanto, estão sujeitas ao desenrolar da crise política -ou, mais claramente, à perspectiva de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

A continuidade ou não do atual governo afeta as cotações do dólar e os resultados das contas do Tesouro Nacional, que têm impacto direto na inflação, nos juros e na atividade econômica.

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