Indeciso, BC tenta defender política de juros; veja, com tradução, os 5 trechos essenciais da mensagem

O Banco Central divulgou uma ata de 34 parágrafos para explicar por que elevou sua taxa de juros de 10,75% para 11% ao ano e quais são suas intenções daqui para a frente.

Mais confusa que o habitual, a mensagem pode ser resumida em cinco trechos essenciais, reproduzidos abaixo com a devida (quando possível) tradução do idioma do BC.

“O Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p.”

Tradução – “O Banco Central decidiu subir os juros agora, mas não tem (ou não tinha) certeza da necessidade de uma nova alta em maio.”

Nota – Copom é o Comitê de Política Monetária, formado pela cúpula do BC, e Selic é a taxa de juros. Num sinal da indefinição sobre os próximos passos, foi suprimida a afirmação de que a medida estava “dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa”, repetida em atas anteriores.

“O Comitê irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia”

Tradução – “Se o dólar permanecer estável ou em queda, se a economia continuar devagar e se a inflação não der sinal de alta, poderemos parar de subir os juros.”

Nota – A reunião do BC aconteceu na semana passada. Ontem, soube-se que a inflação de março superou as expectativas e chegou a 0,92%, enfraquecendo as esperanças do BC.

“A projeção para a inflação de 2014 aumentou (…) e permanece acima da meta de 4,5%. Para 2015, (…) a projeção de inflação elevou-se.”

Tradução – “Embora já tenhamos desistido de cumprir a meta de 4,5%, precisamos cuidar para que o limite máximo de 6,5% não seja ultrapassado.”

Nota – Nos últimos 12 meses, a inflação acumula 6,15%, e boa parte dos analistas já aposta em estouro do teto em 2014.

“As trajetórias de importantes indicadores econômicos durante o atual ciclo de ajuste da taxa Selic, bem como as perspectivas para essas trajetórias nos próximos trimestres, apresentam-se em linha com o que se poderia antecipar. (…) Os impulsos monetários introduzidos na economia desde abril de 2013 têm se propagado normalmente.”

Tradução – “Apesar de a inflação não estar caindo mesmo depois de um ano inteiro de alta de juros, achamos que os resultados de nossa política são normais.”

Nota – Principal novidade da ata, um parágrafo longo e confuso procura defender a política do BC das críticas recentes à sua ineficácia. O BC diz que a alta de juros ainda vai fazer efeito.

“É plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária tendem a ser potencializados.”

Tradução (atualizada) – “A economia fraca pode ajudar no controle da inflação.”

Nota – No que parece ser um eufemismo para a economia estagnada e o pessimismo de consumidores e empresários, o BC apresenta mais um argumento para uma eventual interrupção da alta dos juros.

Leia mais: A tradução da ata de março

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Comentários

  1. Resumindo, o BC continua e continuará submisso e servil a quadrilha Bolivariana instalada no Planalto.
    Pelo menos enquanto este Sr., que a qualquer custo quer ser Ministro da Economia, estiver na Presidência do BC.

  2. A ata do COPOM é uma simples síntese do que se espera de um agente maximizador do bem-estar social, cujo objetivo primário é a estabilização dos preços e organização de um mercado eficiente. Esta síntese é facilmente encontrada em livros modernos de Macroeconomia, com um olhar especial para Ciclos de Negócios Reais e Equilíbrio Geral. Assim, venho aqui comentar que é um tanto perigoso dar estas interpretações, pois parece pastor de Igreja evangélica interpretando a bíblia do jeito que ele acha. Não sou pró-governo, aliás, sou até contra o governo, mas se é uma instituição que ainda devemos ter confiança, é o Banco Central. “Fazer macroeconomia” significa adotar medidas em um grande ambiente de incertezas, sujeito a choques advindos das mais diversas partes. Além disso, digo também que o BC parece mais alguém tentando puxar o volante de um motorista bêbado (leia aqui Governo Federal) que está levando o carro para o penhasco. O BC é a única instituição que ainda resguarda o pouco de respeito e estabilidade que nos resta na economia brasileira. Por fim, se analisar a ata do COPOM versus o que se vê em qualquer modelo macroeconômico (DSGE) caseiro, é justamente o que é narrado nela. Os impactos monetários e suas propagações estão completamente em linha com o esperado. Hoje, a forte inércia existente na inflação decorre muito mais da política fiscal do que da política monetária. Temos uma proporção de gastos públicos sobre o PIB quase que estável ao longo dos últimos anos (20%), só que com uma qualidade decadente, com muito mais custeio do que investimento. Isto se reflete na estagnação da produtividade, que consequentemente, gera grandes distorções no mercado de trabalho, nos preços, e por aí vai.

    1. A questão é … Se esta é a política correta e a ÚNICA, porque os outros países também não fazem isso? Não vejo nenhum país (posso até estar equivocado) recorrer a este instrumento com tanta veemência e determinação… Difícil de entender…

      1. Não vemos o uso deste instrumento com tanta veemência em outros países, como bem colocado por você, pois a política fiscal não é feita de maneira esquizofrênica em relação à política monetária. Só temos 1 política séria no Brasil, em termos econômicos, que é a monetária. A Fiscal serve de farra para os petistas incharem a máquina pública.

    2. O Gustavo Patu apenas está colocando o que ele interpretou. Não vejo nada de errado nisso. Há agentes econômicos que interpretam muito pior. A culpa é de quem excreve um texto intencionalmente confuso. Quanto à sua comparação com Pastor de Igreja, considero-a bastante infeliz.

      1. Então ele foi bem infeliz de chamar de “tradução”. Entende-se por “tradução”, pegar algo em um jargão técnico e simplificar para leigos. Não pegar o que está escrito, e falar o que ACHA. E peço-lhe desculpas se você for evangélico, pensarei duas vezes antes de fazer comparações com religiões. Você tem toda a razão!

    3. Na verdade o Bacen esta como sempre esteve a serviço dos financiadores da divida interna. O combate a inflação não se faz somente com a elevação da taxa de juros mas principalmente com a redução do credito ao consumidor.

      1. Isso em uma economia desenvolvida. No nosso caso, temos que mexer diretamente na propensão marginal de consumo. Ou seja, mexer no crédito, afeta em parte. Mexer no juros, afeta tanto o crédito quanto o ímpeto de consumir, uma vez que se reforça a poupança ao invés do consumo.

  3. juros de 11% nao eh nada duro eh pagar juros no cartao de 10% ao mes e cartao de credito de ate 20% CDC de 7% isso sim eh um assalto e ninguem reclama de nada.

  4. Aos gênios da economia que escreveram a matéria…. “nível de confiança” diz respeito à significância estatística do resultado de um teste de hipótese! Conceitualmente, consiste na probabilidade de se rejeitar uma hipótese nula verdadeira, levando em conta a distribuição de uma determinada estatística. Ou seja, a Ata do Compom afirma que os testes estatísticos realizados pelo depec do BC indicam a potencialização dos efeitos da pm apenas para um nível de significância modesto, talvez 10% ou 15%. O melhor seria que fosse a um nível menor, digamos, 5% ou 1%. Por isso a incerteza.
    O fato de um texto parecer confuso aos olhos de alguém não significa que ele de fato o seja. Muito menos justifica a tentativa de desacreditar uma instituição tão relevante para o país.

    1. E como eu disse, pior chamar de “tradução”. Leviano, você não acha?

      PS: Acompanho o seu blog … parabéns!

  5. Da próxima vez chamem alguém da FEA para ajudar, basta atravessar a rua!

    1. Você me lembrou agora o Delfim Netto, quando criticou uma jornalista deste mesmo jornal. Para ser Jornalista, basta um editor de textos e um corretor ortográfico. Para “fazer macroeconomia”, ler algumas centenas de livros e fazer projeções sobre números que são bombardeados o tempo inteiro com choques de todas as partes, e ainda ter uma paciência enorme para ser criticado por pessoas que mal entendem de alguma coisa profundamente.

  6. Interessante, aquele carequinha não era um servo como o atual Trombini…nada de trombrada com o chefe em…

  7. A estrategia de subir os juros em momento de alta da inflação é totalmente aceitavel e dentro da normalidade, contudo é necessario acompanhar a evolução do cenario para que outras medidas sejam adotadas se necessario.
    a Prioridade maxima é manter a inflação sobre controle.

  8. Parece claro que, já há algumas reuniões do Copom, o foco principal do BC tem sido o manejo do câmbio e a administração de nosso déficit em conta corrente, no recente cenário de normalização monetária nos EUA. Evidente que a inflação continua a ser uma preocupação relevante para o BC, mas este hoje tem a clareza das limitações e baixa eficácia da política de juros num ambiente de descaso com a gestão fiscal e de exacerbação das expectativas negativas dos agentes econômicos relativamente à trajetória futura dos preços em face dos controles artificiais dos preços administrados.

  9. Como a inflação de abril/2013 foi de 0,55%, qualquer número acima disso neste mês irá empurrar o acumulado de 12 meses para mais perto do teto da meta; bastará uma inflação de 0,78% em abril para o IPCA cravar já neste mês a marca de 6,50% no acumulado de 12 meses.
    Qualquer número acima disso e já teremos um estouro desse teto.
    Importante ressaltar que, no período de maio a setembro de 2013, os índices apurados foram de 0,37%, 0,26%, 0,03%, 0,24% e 0,35% – uma seqüência bastante comportada, difícil de se repetir nos próximos meses deste ano.

  10. Em suma, o que o BC disse:
    1. Quem sabe, nossas orações dão certo! Assim, a gente poderá agradar dona Dilma e baixar os juros aos níveis criminosos em que se encontravam até o início de 2013. Vamos ver se dá!
    2. Por outro lado, pode ser que todas as nossas rezas juntas não encontrem os ouvidos do todo poderoso, e aí a coisa continua preta e a gente vai ter que aumentar esses juros de novo. É o certo a fazer, mas isso vai deixar dona Dilma puta da vida… Nessa hipótese, quem paga o pato somos nós.
    3. Quem souber ler cartas, búzios ou borra de café, por favor, entre em contato, urgente! Precisamos muito dos seus serviços. Pagamos bem (enquanto estivermos empregados…).

  11. O problema da inflação no Brasil não será resolvido com a alta dos juros.
    O problema maior que causa inflação é a quantidade de impostos que temos no Brasil e os percentuais absurdos.
    Exemplo; Pagamos mais de 50% em impostos que nos são repassados pelas fábricas e concessionárias como IPI, ICMS, II, PIS, COFINS, IR, sem contar nos encargos sociais trabalhistas como INSS, FGTS que também inflacionam o custo dos produtos.
    Então, o que fazer?
    É muito simples: REDUZIR A CARGA TRIBUTÁRIA DO BRASIL!!!!
    Mas se reduzir, como vamos pagar os mensalões e propinas e sustentar a corrupção generalizada?

  12. Independente dos desafios das questões economicos e do tipo de governo que temos; chamo a atenção para um probelma de ordem pscilógica e sociolágico; vivemos em um mundo em que se foca muito mais o negativo, a capacidade de auto destruição do ser humano contra a nação e a si mesmo

  13. Olá, vocês saberiam me dizer qual, ou quais, são as medidas que o governo tem adotado para aumentar a oferta? Já que esta é uma das causas da inflação.
    Existe dinheiro e uma demanda, mas se não há incentivos a produção não há oferta. No meu entender, esta é apenas uma das causas.
    O B. C. sozinho ser responsável pelo controle da inflação… Puts, fica difícil.

    1. Dorcival,

      O governo promoveu desonerações tributárias para diversos setores com o objetivo de incentivar os investimentos, mas os resultados foram tímidos.

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