Bandeira de nanicos, calote da dívida pouparia bem menos do que se diz

Bandeira que une diferentes candidatos nanicos ao Planalto, a redução ou suspensão dos pagamentos da dívida pública geraria bem menos recursos orçamentários do que se propaga.

A defesa do calote ou da auditoria da dívida -que resultaria em suspensão total ou parcial das atuais despesas com juros- é encampada tanto pelos esquerdistas mais radicais, como Luciana Genro (PSOL), quanto por Levy Fidelix (PRTB), cuja campanha promete “endireitar o Brasil”.

Citam-se números na casa das centenas de bilhões de reais para descrever os encargos financeiros do governo brasileiro, que, de fato, estão entre os mais elevados do mundo.

Além de confusões e exageros quanto às cifras, os candidatos dão a entender que a interrupção dos pagamentos de juros resultaria em montantes adicionais equivalentes para programas sociais e investimentos públicos.

Nos últimos 12 meses, os juros da dívida federal somaram R$ 190 bilhões, segundo cálculos do Banco Central. No entanto, apenas uma parte dessa conta -R$ 54 bilhões no período- foi abatida com dinheiro da arrecadação de impostos e outras receitas do Tesouro Nacional.

Os R$ 136 bilhões restantes, mais de 70% do total, foram pagos com mais dinheiro emprestado. Ou seja, o governo, que é deficitário, faz novas dívidas para pagar as antigas.

Se o Palácio do Planalto decidisse não mais pagar os juros, os R$ 54 bilhões poderiam, sim, ser utilizados em políticas públicas. O valor equivale a mais de duas vezes o gasto anual do Bolsa Família.

Mas, se consideradas as dimensões totais do Orçamento, o impacto é limitado: as despesas da União da União com pessoal, programas sociais, custeio e obras subiriam de R$ 968 bilhões para R$ 1,022 trilhão, uma alta de 5,6%.

É muito menos do que o ganho imaginado quando se ouvem, por exemplo, as afirmações de Luciana Genro, segundo a qual a dívida pública consome “40% do Orçamento”.

O percentual exagerado nasce de uma leitura enganosa dos números da lei orçamentária, muito difundida na esquerda nacional.

Por obrigação legal, o Orçamento lista como despesas financeiras -amortizações e juros da dívida- operações que são apenas contábeis.

Quando o governo prolonga o prazo de uma dívida, trocando um título que está vencendo por um novo, a transação é contabilizada como uma despesa (a quitação do título vencido) e uma receita (a venda do título ainda a vencer), embora nenhum centavo tenha entrado ou saído dos cofres do Tesouro.

O Orçamento deste ano prevê um espantoso R$ 1,3 trilhão em despesas financeiras, muito acima da conta efetiva de juros da dívida. Mas também há a previsão de um igualmente ilusório R$ 1,1 trilhão em receitas financeiras.

Resta ainda a controvérsia em torno dos impactos adicionais de um calote da dívida, que em geral incluem alta do dólar, com fuga de investidores estrangeiros, e da inflação, pelo encarecimento dos importados. O exemplo da Argentina é o mais próximo e presente.

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Comentários

    1. Meu caro, sinto lhe informar, mas isto não se trata de uma reportagem! E sim uma tentativa de manipulação intelectual através de uma análise equivocada e adaptada ao bel prazer dos que apoiam a manutenção da enorme desigualdade social brasileira!

    2. Vixe que tentativa de manipulação da folha, puxando a sardinha para os bancos por causas de seus financiamentos.

  1. E, convém lembrar que, na rolagem da dívida, o que importa são os juros reais, i.é.,os juros descontando-se a inflação. Hoje, boa parte da despesa financeira é que se chamava antes de ‘correção monetária’ que não são mais separados e misturam-se com os juros efetivos.

    1. O que importa são os juros que estão sendo efetivamente pagos, ou seja, os juros nominais, e aí se inclui sim a atualização monetária. É um erro propagar que a chamada rolagem seria mera troca de dívida velha por nova. Se isso fosse verdade o estoque da dívida bruta não teria ultrapassado os 3 trilhões…

  2. Boa tarde.

    Pelo amor de Deus, se esses são os economistas da Folha, joga fora, “o papel está velho”.

  3. Você se esqueceu de mencionar que esses Novos empréstimos para o pagamento de novos Juros , vem com mais Juros! além do mais Desde 2005 o Brasil faz resgate antecipado com pagamento de ágil que chegou a 70% do valor nominal, por que a divida publica é administrada pelo banchmark (marcação de mercado) que é a expectativa do credor, ou seja o titulo da divida era em dólar, o dólar caiu , então para cumprir a expectativa do credor o Brasil paga a divida com a diferença de cambio.

  4. Olá Gustavo, tudo bem? Não estou certo sobre o raciocínio que você empregou para justificar o menor gasto “real” com juros. Entendo que a emissão de nova dívida por parte do governo (os R$ 136 bilhões que você menciona) são para cobrir o déficit nominal como um todo, e não especificamente o pagamento dos juros. Os recursos obtidos com a nova emissão de dívida não vêm “carimbados”. Eles estão cobrindo os gastos globais do governo, e aí pode estar tudo: salários, custeio, investimento, despesas financeiras etc. Assim, entendo que o valor gasto com juros foram realmente R$ 190 bilhões.

    1. Vinicius,

      Está correto dizer que o gasto com juros é de R$ 190 bilhões; o texto procura argumentar, no entanto, que a suspensão desse pagamento não seria revertida no mesmo montante em despesas não financeiras (pessoal, custeio, programas sociais, investimentos).

  5. Olá, bem boa a análise. Onde o cidadão consegue verificar esses dados? No site do BC?

    1. Guilherme,

      O site do BC (www.bcb.gov.br) oferece informações bem detalhadas sobre os gastos com juros e a poupança feita pelo governo para o abatimento da dívida (superavit primário). Os sites do Tesouro Nacional (www.tesouro.fazenda.gov.br) e do Orçamento da União (www.orcamentofederal.gov.br) dispõem de dados mais detalhados sobre as despesas do governo.

  6. O infográfico publicado por vocês indica que os juros da divida correspondem a 5,7% do PIB e que cada 1% corresponde a 44 bilhões. Como conciliar as informações?

    1. Silva,

      O infográfico foi feito com base nas proporções de 2011 e 2012. Hoje o gasto total com juros é um pouco menor, de 5,06% do PIB (R$ 255,6 bilhões nos últimos 12 meses), da qual a parcela federal é de 3,75% do PIB. O blog pretende atualizar o infográfico, mas as informações completas sobre Estados e municípios são divulgadas com grande defasagem.

  7. Os 54 bilhões são bem mais do que o governo destina para investimento, não?

    1. Arnaldo,

      Os investimentos nos últimos 12 meses somaram R$ 71,5 bilhões (o governo inclui na conta os subsídios do Minha Casa, Minha Vida, o que infla o número).

  8. De fato,é uma questão complicada. Quem sabe que nunca vai chegar lá – caso dos nanicos – pode prometer o que quiser. Mas estes mesmos candidatos nunca falam dos danos colaterais que um calote traz. Se calotear o Br vai poder fazer novos empréstimos? Vai manter o mesmo nível de transações comerciais? Vai continuar exportando e importando normalmente? Sem falar das retaliações que virá a sofrer.

  9. Gente, por favor, isso é desonestidade intelectual. O que a Luciana Genro propõe é uma AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA, porque tem muitas irregularidades no processo que fazem com que muito dinheiro seja gasto para pagar dívidas que nem existem legalmente.

    É como no caso do Equador, que foi feita uma auditoria e a dívida reduziu em 70% (só não reduziu mais porque o Rafael Correa achou por bem não contrariar tanto o mercado financeiro).

    Então não é bem calote, né? É apenas o pagamento do que é justo.

  10. Fui fazer esse conta no papel de pão é tá dando errado , nosso pib tá próximo de 5 trilhões , divida de 2,1 tri , reservas 380 bi US, divida liquidas (2,1- os 380 bi de US), não daria menos de 35% do PIB?

    1. Rodrigo,

      Não está clara a fonte de seus dados, mas aparentemente o valor de dívida que você menciona diz respeito apenas ao governo federal. A dívida líquida de 35% do PIB é referente a todo o setor público (União, Estados e municípios).

  11. E tem outra questão. A dívida pública se faz, em boa medida, por meio da negociação de títulos públicos, os mesmos que lastreiam os investimentos oferecidos a nós pelo gerente do banco, CDBs e fundos de renda fixa, por exemplo. Quando acontece o calote da dívida pública, quem é mais penalizada é a classe média (e não o George Soros), que coloca as suas economias nos tais CDBs e fundos de renda fixa da vida, para ter uma rentabilidade um pouquinho maior que a oferecida pela caderneta de poupança. No calote de 2001, a grande pancada do governo argentino não foi nos “tubarões” do sistema financeiro, foi nos idosos de classe média, que economizaram a vida inteira para ter uma velhice razoavelmente confortável. Muita gente se ilude com o discurso pró-calote, sem ter a mínima ideia de que a população será a maior penalizada com ele, e não o FMI.

  12. O Ivan valente propôs já fazer uma auditoria da divida(minha mono e sobre divida publica) , leiam lá no que deu ……

  13. Senhores Jornalistas, a meu juizo, se o objetivo é esclarecer o leitor, seria necessário uma colocação mais precisa. Se não todos, ao menos alguns nanicos, não defendem apenas o calote da dívida, mas uma auditoria da mesma e pagamento do valor daí derivado. Além disso, se é verdade que o calote pode trazer incertezas econômicas, uma dívida dentro de valores razoáveis e apontando para uma situação de ajuste e perspectivas favoráveis daí decorrentes trariam um ambiente positivo.

    1. Pedro,

      Se o objetivo da auditoria é reduzir unilateralmente os pagamentos da dívida, ao menos uma parte dos credores sofrerá um calote. “A Auditoria deve resultar na devida suspensão do pagamento dos juros e
      amortizações da dívida pública, garantindo o direito dos pequenos poupadores e da aposentadoria dos trabalhadores que participam de fundos de pensão”, diz, por exemplo, o texto das diretrizes do programa de governo do PSOL.

      1. Se um banco, por falha técnica ou má fé, te cobrar juros excessivos ou recobrar dívidas já pagas, isso constitui calote? É disso que trata a auditoria da dívida. E esse tipo de erro (ou má fé) ocorre com frequência seja feito por bancos, concessionárias de energia, telefonia, etc, com consumidores. Basta consultar o Procon. Não há razão para temer a auditoria, a não ser que se saiba que há algo errado e que se queira escondê-lo.

        1. Aí sim. Se é uma Auditoria, é só pra verificar a legalidade ou não da tal Dívida. Qual o medo em fazê-la?

  14. Meu Deus! Quem escreveu essa reportagem?

    Se os juros da dívida “não sao pagos” por conta de emissão de uma nova dívida, isso quer dizer que no futuro se pagará mais juros sobre essa nova dívida, além do que se pagará mais juros sobre a dívida antiga se o principal nao for quitado.

    Mas mesmo seguindo o raciocinio um tanto quanto torto dessa coluna, caso poupássemos PELO MENOS aquela parcela “abatida com dinheiro da arrecadação de impostos e outras receitas do Tesouro Nacional”, teriamos recursos para construir 1 ITAQUERÃO POR SEMANA!

    repetindo: 1 ITAQUERÃO POR SEMANA!!!

    Se o jornal tanto criticou os absurdos gastos com os estádios, tambem deveria criticar os absrudos gastos com juros. Mas pelo visto preferem desviar a conversa para questões menos nobres

    1. Bernard você devia ir tomar um café bem forte ….Oque a reportagem quis dizer e que o tesouro trocou uma dívida por outra( por exemplo indexador da divida taxa Selic , por índice de preços , ou por outra com um prazo maior).

  15. Este negócio de fazer auditoria ou dar um calote na dívida interna e externa sempre foi uma bandeira da esquerda depois da ditadura militar e nunca foi posta em prática. Houve até um calote no governo Sarney, mas da dívida externa, não foi? E as consequências foram aquelas famigeradas das décadas de 80 e 90, algumas parcialmente resolvidas no plano Real e outras que até hoje afetam a vida de todo mundo. Alguns hoje dizem que o período da ditadura foi bom em certos aspectos, mas quem viveu naquela época sabe que o que significou aquelas crises econômicas para todo mundo, independente de ideologia política. Naquela época, na década de 70, tinha arrocho salarial e inflação alta que se transformou em hiperinflação depois da moratória.

    1. Até onde eu seu, essas crises foram causadas pela elevação unilateral dos juros, que num primeiro momento giravam em torno de 5% e passaram a absurdos 20% (+ ou -). Com isso, todo mundo que tinha essas dívidas quebrou, aí o amigão FMI veio oferecer “ajuda”, desde que fossem cumpridas algumas coisas do tipo, cortes nos investimentos sociais e priorização do pagamento aos credores. Não foi isso?

  16. Mas o ponto central que a Luciana levanta é a auditoria da dívida. No Equador a auditoria mostrou que apenas 25 % da dívida era legítima. Isso representou sim uma economia significativa nos gastos do governo, que pode, então, triplicar o investimento em educação. O mesmo pode se dar aqui no Brasil. Porque não auditar nossa dívida?

    1. Eis o ponto central do debate que o articulista quer esconder. É uma defesa do status quo por estar se sentindo incomodado com a pauta que pode contrariar seus interesses.

  17. Patu, se o governo pagar a maior parte da dívida com mais dívida, significa q está formando uma bola de neve. E o pior do seu texto é que a Luciana diz q o dinheiro do “orçamento para investimento” é mais de 40% destinado para pagar a dívida. O restante do orçamento total do Estado já está comprometido… Se informe mais antes de publicar.

    1. Ivan,

      Veja o texto das diretrizes do programa do PSOL: “Enquanto o governo sonha com o aumento do investimento privado, mais de 4O% do orçamento da união em 2013 (900 bilhões de reais) foram
      drenados para o pagamento dos serviços da dívida pública, incluindo juros e amortizações”.

  18. PEÇO DIREITO DE RESPOSTA, PARA SER PUBLICADO COM O MESMO DESTAQUE DO ORIGINAL:

    A matéria da Folha está equivocada: atualmente, quase toda a capacidade de endividamento do Estado brasileiro está sendo direcionada para o pagamento de juros de uma questionável dívida, repleta de ilegalidades. Se esta dívida não existisse, os empréstimos que estão sendo tomados para pagar juros poderiam sim ser destinados para áreas sociais importantes, como saúde e educação, o que geraria grande impulso na economia e a capacidade de pagamento desta dívida. Agora, tomar dívida para pagar juros não gera nada em termos de desenvolvimento econômico, é jogar dinheiro no lixo.

    Ora, então, o país pode se endividar sem limite para pagar juros para os bancos e grandes investidores (ou seja, para jogar este dinheiro fora), mas não pode se endividar para aplicar no social/econômico? Isto é uma total manipulação dos dados orçamentários.

    Quando o articulista cita a chamada “rolagem” ou “refinanciamento” da dívida, ou seja, o que na visão dele seria a emissão de novos títulos para pagar os anteriores, ele omite que o Relatório Final da recente CPI da Dívida na Câmara dos Deputados identificou que o governo contabiliza grande parte dos juros como se fossem “rolagem”. Ora, assim fica fácil: a “rolagem” fica enorme e os juros ficam pequenininhos…

    Ora, se nossa dívida federal já superou os R$ 3 trilhões, e a taxa média de juros da dívida federal é de 11% ao ano, os juros anuais são de R$ 330 bilhões, e não de R$ 190 bilhões, conforme mostra o Banco Central. Isto porque o BC desconsidera parcelas importantes da dívida.

    Além do mais, o BC somente considera os gastos com juros, omitindo os gastos com amortizações. O articulista da Folha omite também os R$ 157 bilhões previstos para este ano no SIAFI (Tesouro Nacional) para amortizações da dívida federal, provenientes de receitas que nada tem a ver com a emissão de novos títulos. Tais receitas são, principalmente, o recebimento dos juros e amortizações das dívidas dos estados e municípios com a União, os lucros do Banco Central, a remuneração da Conta Única do Tesouro, dentre outras.

    Portanto, somando os R$ 330 bilhões de juros com os R$ 157 bilhões de amortizações (pagas com fontes de recursos que nada tem a ver com a emissão de novos títulos), já são R$ 487 bilhões, 9 vezes mais que o valor apontado pelo articulista como o possível aumento nos gastos sociais, derivados de uma revisão da política de endividamento.

    E mesmo as amortizações que são pagas por meio da emissão de novos títulos devem sim ser consideradas. Ora, então, o governo faz uma dívida de um trilhão de reais para comprar dólares para as reservas internacionais (para receberem juros zero nos EUA), e para destinar recursos para os questionáveis empréstimos do BNDES, e depois toma novos títulos para pagar esta dívida ilegítima, e estes gastos não podem sequer ser contabilizados? Ora, então vamos fazer mais dívida trilionárias, para serem roladas ad infinitum, que ninguém vai contabilizar um centavo disso…

    Esta dívida – repleta de ilegalidades, conforme apontaram comissões do Congresso Nacional – já deveria ter sido auditada há muito tempo, conforme prevê a Constituição de 1988, violada até hoje.
    Para mais detalhes, sugiro a leitura da página abaixo:
    http://www.auditoriacidada.org.br/numeros-da-divida/

    1. Rodrigo,

      Segundo o Tesouro Nacional, a dívida em títulos do governo federal está em R$ 2,2 trilhões, não em “mais de R$ 3 trilhões”. Como o seu texto acaba por comprovar, o governo também dispõe de receitas associadas à dívida pública, como o recebimento de juros e amortizações dos Estados e municípios (a União emitiu novos títulos quando assumiu as dívidas estaduais e municipais com o mercado). É plausível questionar os critérios contábeis do governo, mas o texto do blog se limita a afirmar que a suspensão do pagamento da dívida teria impacto muito inferior ao sugerido por cifras como “40% do Orçamento”.
      E, se o governo não pagasse a dívida, não conseguiria tomar empréstimos para aplicar na área social.

      1. Este dado do Tesouro, que mostra a dívida em R$ 2,2 trilhões, OMITE os títulos do Tesouro em poder do BC, ou seja, a dívida do Tesouro com o Banco Central. E não se trata de dívida com o próprio governo, pois o BC pega estes títulos e entrega aos bancos, por meio das “operações de mercado aberto”, ou seja, é o povo pagando juros altíssimos para os bancos, da mesma forma. Quando se considera este títulos, vemos que a dívida já ultrapassou os R$ 3 trilhões, conforme a própria página do Banco Central: http://www.bcb.gov.br/ftp/NotaEcon/NI201408pfp.zip , quadro 36.
        Sobre o recebimento de juros e amortizações dos estados e municípios, isto DEVE SIM SER CONSIDERADO, pois são receitas arrecadadas, por exemplo, por meio do ICMS (que onera pesadamente as contas de luz ou telefone, por exemplo) que vão para os bancos, via governo federal. Se não existisse a atual questionável dívida dos estados com a União, estes recursos PODERIAM SIM estar indo para áreas sociais urgentes para o país.
        Eu continuo questionando a ideia central de seu texto, de que “a suspensão do pagamento da dívida teria impacto muito inferior ao sugerido por cifras como “40% do Orçamento”.
        Isto porque, conforme já coloquei em meu texto anterior, se a atual questionável dívida não existisse, seria possível sim destinar os recursos dos empréstimos para áreas sociais urgentes.
        É MENTIRA que tais empréstimos não poderiam ser destinados para áreas sociais, pois atualmente existem bancos públicos que podem sim emprestar ao governo. Aí você responderia: ah, então você vai endividar o estado junto aos bancos públicos, criando uma bolha de endividamento… Ora, mas é exatamente o mesmo endividamento que está sendo feito hoje, mas para pagar juros. Por que 2 pesos e 2 medidas? Por que a dívida feita para pagar juros pode ser feita sem limite, mas o estado não pode se endividar para investir em algo que dê retorno?

        1. Rodrigo,

          Seu argumento supõe que o governo possa gastar integralmente sua arrecadação e ainda expandir despesas tomando regularmente centenas de bilhões de dólares no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, sem perspectiva de pagamento ou ao menos abatimento.

          1. Gustavo,

            Conforme coloquei em minha primeira mensagem,

            “Se esta dívida não existisse, os empréstimos que estão sendo tomados para pagar juros poderiam sim ser destinados para áreas sociais importantes, como saúde e educação, o que geraria GRANDE IMPULSO NA ECONOMIA E A CAPACIDADE DE PAGAMENTO DESTA DÍVIDA. Agora, tomar dívida para pagar juros não gera nada em termos de desenvolvimento econômico, é jogar dinheiro no lixo.”

            Ou seja, o que você falou agora (pegar centenas de bilhões emprestado) já ocorre hoje, mas para pagar juros. Então quer dizer que o governo pode pegar centenas de bilhões de dólares emprestados para pagar juros (o que não dá retorno nenhum), mas não pode pegar os mesmo empréstimos para investir em educação, transporte, o que daria grande retorno econômico?????

            Ora, então, a sua resposta só confirma que a atual dívida não tem nenhuma “perspectiva de pagamento ou ao menos abatimento”.

            Continuo pedindo direito de resposta, com o mesmo destaque de seu artigo original.

            Rodrigo

          2. Rodrigo,

            Se a cada mês você toma um empréstimo de R$ 1.000 para pagar uma dívida de R$ 1.000, continuará devendo R$ 1.000. Se a cada mês você toma R$ 1.000 para financiar seus gastos cotidianos, sua dívida aumentará para R$ 2.000, R$ 3.000, R$ 4.000 e assim por diante.
            Ainda sobre sua ideia de financiar o Tesouro Nacional com empréstimos dos bancos públicos, veja o que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal:
            “Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo.
            Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição financeira controlada de adquirir, no mercado, títulos da dívida pública para atender investimento de seus clientes, ou títulos da dívida de emissão da União para aplicação de recursos próprios.”

          3. Dinheiro Público & Cia,

            ano após ano, nosso País amarga déficits NOMINAIS decorrentes do pagamento da dívida.

            Ano após ano, a Nação submete-se, irresignada, à imposição
            de fazer “superávit primário” para honrar encargos decorrentes da dívida.

            Dinheiro Público & Cia,

            por que é aceitável a manutenção, por décadas e mais décadas, de déficits nominais para pagar compromissos decorrentes da dívida, mas é inaceitável manter esses mesmos déficits nominais para sustentar gastos produtivos?

            Por que os gastos produtivos estão limitados, amarrados, garroteados pela regra do superávit primário, ao passo que o pagamento das improdutivas, rechonchudas e imobilizantes despesas decorrentes da dívida fica livre, leve e solto para chegar à estratosfera?

            Por que o leitor da Folha deve aceitar a existência, como disse Rodrigo, de dois pesos e duas medidas?

            Dinheiro Público & Cia,

            Quem se beneficia da ilusão que habilmente ajudas a perpetuar?

          4. Eu faço um desafio ao comentarista da Dinheiro Público e Cia.. Que se faça uma completa e transparente Auditoria da Dívida Pública brasileira para saber quem está falando a verdade. Chega de pedir informações como no CPI da Divida e o Tesouro/Banco Central alegarem “sigilo bancário”. Sei muito bem o que é esse tal “sigilo bancário”. O povo brasileiro, eu, você, o contribuinte, precisa saber a VERDADE, e só a Auditoria pode nos trazer. Eu apenas vejo o grande mercado financeiro e seus analistas com “medo” dessa auditoria, seria porque eles tem o “rabo preso”? Eu acredito que sim ! Auditoria Já !

  19. Sugiro a Folha pesquisar melhor sobre um assunto antes de emitir uma opinião tão errada a respeito de um tema tão importante. Esta reportagem pode ser tudo, menos jornalismo isento.

  20. Qual o papel desta coluna? Informar ou manipular?

    Publiquem o direito de resposta do Rodrigo Avila. E deixem os leitores tomarem suas conclusões. Somos inteligentes o bastante para isso.

    Quem não “deve” (ao mercado) não teme.

    1. Eta reportagem mais cretina. Concordo com os comentarios anteriores: Rodrigo Avila merece o seu direito de resposta. E pros que querem fugir desse ponto de vista parcial e realmente se informar sobre a divida : http://www.auditoriacidada.org.br

  21. Não encontro algum adjetivo para descrever o sistema econômico / monetário mundial. O que eu, cidadão, médico, leigo em economia, mas interessado no tema vejo, é uma grande desinformação e desinteresse consequência do excesso de termos técnicos e processos propositadamente criados.
    Como fazer mais um empréstimo para pagar uma dívida? A folha cita isso como se fosse normal.
    Como essa dívida não tem fim?
    Como se pode temer a auditoria baseado na repercussão internacional???? Estamos sendo escravizados e vamos nos sujeitar a isso com medo de espantar investidores???
    Equador e Islândia até onde eu sei já fizeram auditoria da dívida. A Islândia inclusive fez um documentário sobre isso. Chama “Inside Job”. Todos deveriam assistir.

    Enfim bancos centrais privados, como é o caso do FED, lastro baseado no dólar e não mais no ouro, papel vale papel, políticas econômicas keynesianas, ciclos de boom seguidos de recessão, mercado especulativo, bolsa de valores, derivativos….

    NADA cheira bem quando se aprofunda em economia.

  22. Reportagem vergonhosa. Na pior das hipóteses, mesmo se estivesse certo R$ 55 bi de juros “efetivos” seria um absurdo para um país que têm uma das maiores concentrações de renda no mundo. Quantos se beneficiam desse valor 20 ou 30 famílias? Menos de 0,1% da população, vergonha total.
    E esses juros imensos são a custo de quê? Controlar inflação de demanda em um país que cresce 1%? A inflação no Brasil é de custos e sazonal alimentícea, pode jogar o juro em 20% a.a. que não vai resolver nada só enriquecer os mesmos e seus vassalos.

  23. O Rodrigo Ávila merece o direito de resposta, visto a manipulação intelectual ocorrida nesse artigo.

  24. E a história da peça publicitária da Folha que publica o opiniões divergentes das dela e propaganda enganosa?

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